sábado, 25 de dezembro de 2010

Porque Feliz Natal


Hoje foi um dia de cão. Comprei 3m3 de brita para preencher espaços com terra no pátio e passagens. São ótimas para drenagem e... Gosto do barulhinho que fazem. Mas, o caminhão não pôde entrar no terreno e deixou a carga junto ao portão. Quando vi o que teria que carregar para dentro de casa com um carrinho de mão, pude sentir a plenitude da palavra arrependimento. O que que eu fui fazer... Não imaginava como é difícil manter uma vida com certa autonomia. Seria tão mais fácil contratar um pessoal melhor preparado por 50 pila para dar conta do recado. Como o tempo nublado convidava a um esforço, agi sem pensar e comecei a usar a pá.
Quem passava ao lado ou de longe de carro dizia “vai emagrecer, meu!” ao que respondia “é... to precisando.” E eis que surge, de bicicleta e capacete meu vizinho sueco, jazzista, saxofonista coisa e tal. Um cara descolado, como se diz por aí, que resolveu abandonar o estilo de vida do 1º Mundo para se aproximar da Natureza. Vendo-me naquela situação e, vai saber por que, simpatizou comigo e deu uma paradinha para uma prosa. Paradinha essa que estragaria o seu dia. Acometido pelo espírito natalino, distribuí algumas pedras nos buracos da rua.
-- Se a prefeitura, ao menos aplainasse a rua, me disse.
-- Só que daí teria um custo muito grande para fazer com todas, redargüi.
-- A solução então é fazer uma ravina para drenagem, com a rua côncava.
-- Olha, se for para resolver mesmo, calçamento com lajota então, mas já daria para fazer os canais laterais fixando grama nas suas paredes, evitando com isso a erosão precoce para que não se formassem voçorocas.
O papo ameno ia neste sentido, mas me enfadei e, numa leve mudança temática perguntei-lhe o que está por trás da acusação de assédio sexual de Julian Assange? Refiro-me ao mantenedor do site Wikileaks, que alega deter 250.000 arquivos do Deptº de Estado americano.
-- Nem entro no mérito de se foi ou não pedofilia, mas por que foi acusado justo agora?
Meu interesse era entender alguma ligação entre o governo sueco com o exterior, de que forma, o que dizem etc. Por meu vizinho ser sueco imaginei que tivesse uma análise. Uma análise, não uma teoria da conspiração como o que viria a ouvir:
-- Isso veio de cima... Julian Assange é gay assumido desde os 15 anos... As meninas que tiveram caso com ele se vangloriam do fato em seus blogs, etc. etc.
Até aí tudo bem, mas...
-- George Soros está por trás disso.
-- Por quê? Perguntei. Não houve resposta coerente e inteligível. Bem, na verdade houve uma hipótese com lógica para quem for bastante tolerante com a falta de fatos que a sustentem ou, em outras palavras, verossímil para aqueles que crêem em duendes: “eles querem controlar a internet!” Em primeiro lugar, “eles” quem? E como controlar a internet se o procedimento é, justamente, descontrolando-a? Sabe... Se fala tanto em legalizar as drogas... Para quê? A troco de que se muita gente hoje em dia já apresenta os sintomas sem usufruir delas?
Tentei dizer que havia informações importantes que tornariam a política externa mais realista, embora muito do que foi divulgado já se presumia como o desejo saudita de que o Irã seja atacado ou a opinião da cúpula petista sobre as Farc etc. A conversa involuiu a passos largos, embora eu estivesse me recuperando de horas a fio carregando brita. Tentei, em vão, demonstrar a ilogicidade de seu argumento ao que meu oponente replicou “o problema é o capitalismo, esse sistema que esgota os recursos” e “que essa guerra ao terror é que é um absurdo”. Disse-lhe que estava confundindo os temas ao falar de capitalismo quando se trata de decisões políticas e que se a guerra ao terror é controversa, o combate ao terror me parece totalmente legítimo. Veja o caso do muçulmano que estudou na Inglaterra, mas que tentou detonar duas bombas na Suécia, país que tinha endereço e trabalho. Fui rechaçado como preconceituoso, que os árabes são vítimas da pior entidade terrorista, o Estado de Israel e nem quis saber se o caso nada tinha a ver com a situação do Oriente Médio.
Ficava cada vez mais difícil argumentar, ainda mais quando não se considera a complexidade da história e que, tratar genericamente os árabes como terroristas é tão equivocado quanto o que ele pensava sobre Israel. O mesmo mecanismo mental levava a suas conclusões sobre a economia de mercado confundindo-a com o mercantilismo e o conluio do estado a grupos empresariais privilegiados. Perguntei então por que não se mudava para Cuba? Ficou indignado e me disse nervoso que eu tinha que dar a graças a deus por não ter nascido no Iraque. Foi embora pedalando instável sobre as minhas britas aliadas.
Eu nunca pensei que fosse trabalhar com um sorriso sádico sob um Sol que me tostava de modo inclemente e o cabo da pá tirando a pele de meu polegar. Dei um tempo e entrei em casa em busca do Merthiolate, que os médicos atuais desautorizam taxando-o de inócuo. Nesta situação, não adianta, sou tradicionalista “o que arde cura, o que aperta segura” dizia minha avó e assim continuei com mais dois band-aids. Uma caneca térmica da Starbucks, empresa global do capitalismo que esgota os recursos naturais saciou minha sede várias vezes antes do ciclista jazista cool voltar bufando menos.
-- Olha, por que o cimento brasileiro é tão caro? Por que tu achas que o monopólio disto no Brasil tem seu maior proprietário sempre ao lado de qualquer governante, seja qual for? Isto não é mercado livre, se importar cimento, até o IBAMA inventa que a carga está contaminada até que endureça e te leve a falência.
-- É, mas a Coca-Cola acaba com a água, o capitalismo é isso, não deixa esta situação ideal surgir, replicou.
-- Mas, a maior contaminação não vem da agricultura? Coma menos, então. Estas conspirações que alegas, são tantas que não dominam, se anulam. Há uma competição sim, mas política, opaca.
Em vão, tentei explicar que o problema está na falta de lisura de procedimentos governamentais e dificuldades impostas por agências de estado. Que sou favorável a imigração generalizada, disse, mas não admito que quem quer que venha de um país com costumes totalmente diversos tente impor sua cultura a quem os recebeu. Este é o ponto.
-- Tu estudou física básica? Como prédios gigantescos ruíram? Não pode... Se referindo ao 11 de Setembro.
Daí, chutei o balde, já que o carrinho de mão estava cheio de brita:
-- Isto não passa de uma busca obstinada por um culpado majoritário que expie todos nossos males. É coisa de religioso travestido de investigador, quem vai se auto-destruir para combater o terrorismo? Assim como quem vai liberar informações via internet para acabar com a liberdade na rede global? Não passa de teoria da conspiração sem nenhuma base factual e... Onde compraste este capacete?
-- Não sei, não me lembro.
-- Pois então, onde foi feito?
-- Acho que na China.
-- E qual o sistema que o produziu?
-- Plástico.
-- Não! O sistema econômico?
Com um ar de indignação tardia respondeu atônito “o capitalismo”.
-- Pois então...
Não se dando por vencido finalizou “eu não tomo Coca-Cola, aquela porcaria (...) ter é algo efêmero, o que importa é o ser.” A bicicleta voltou a rodar trêmula e se foi.
Agora eu estava com sede, entrei em casa e peguei a garrafa pet de Coca-Cola do congelador e me servi um copo tão gelado que amorteceu a testa. Sensação que tive pela 2ª vez na vida, cuja lembrança da 1ª me persegue desde que tomei meu primeiro milk-shake no Rib’s em Porto Alegre. Efêmera, efêmera foi minha sede, que acabava de ser saciada com o líquido negro do imperialismo. Saúde!
Nisto passa um gaúcho velho que doma cavalos para passeios no verão:
-- Ulha! E aí! Fazendo uma forcinha nesse mormaço?!
-- Isso, ta de matar...
Povo não odeia o capitalismo, vive a vida. Quem odeia é a elite privilegiada que se entrega aos prazeres superiores da arte e um cotidiano sem Coca-Cola, nem celebram o Natal porque é contra o consumismo.
Percebi que ter não é grande coisa mesmo. Com o sax meu vizinho entoa odes para os cárceres dos quais refugiados atravessam mares em jangadas improvisadas em busca da liberdade. A liberdade também pode ser efêmera, tal qual um copo de refrigerante e um dia que ocorre só uma vez no ano, mas sua busca não, esta é eterna mesmo.
...

Qualquer semelhança com a realidade não passa de mera coincidência. Portanto, uma feliz coincidência e um Feliz Natal para todos vocês. Um abraço.

a.h

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Subúrbios, uma crítica

Sobre:

Urban Legends

Why suburbs, not cities, are the answer.

BY JOEL KOTKIN



Não endosso simplismos urbanistas. Se as cidades são palco de diversos problemas, negá-las em seus benefícios apoiando (implicitamente), uma dispersão induzida pelo estado não é solução, embora isto não esteja explícito no texto em questão. Não é porque sou um apreciador das baixas densidades que acho que o mundo globalizado possa prescindir dos nucleamentos urbanos. Pelo contrário... Quem vive em periferias urbanas como eu, não passa de um parasita do sistema. No entanto, não creio que todos nós devamos buscar um modelo mais racional de vida urbana em áreas mais adensadas, porque existindo o centro existe a periferia. A própria definição de um é contrapartida do outro, mas endosso sim o ponto de vista de que quem onera mais o tesouro (residindo em áreas mais afastadas que demandam infra-estrutura) tenha que pagar (proporcionalmente) mais. É mercado. Se eu quero o canto do sabiá em minha varanda, isto deve ser tratado como uma commodity de luxo pela qual tenho que pagar.

“And many of the world's largest advanced cities are nestled in relatively declining economies -- London, Los Angeles, New York, Tokyo. All suffer growing income inequality and outward migration of middle-class families. Even in the best of circumstances, the new age of the megacity might well be an era of unparalleled human congestion and gross inequality.”

Sinceramente, este argumento me soa tolo. O congestionamento é uma externalidade que demanda inovações, sem as quais a economia como um todo estagnaria. E as desigualdades internas na cidade não são um problema de fato (são problemas de percepção...), na medida em que o estrato inferior vive, muitas vezes, melhor do que o estrato médio de regiões rurais atrasadas. O problema (de percepção) é que damos valor exagerado à desigualdade que no fundo é apenas diferença porque há gente enriquecendo, enquanto que deveríamos ver sim a capacidade de reprodução social dos mais pobres: como estão? Melhores ou piores que tempos atrás? Se atualmente vivem em curva ascendente de riqueza, então não é um problema de fato.
Eu discordo também deste argumento:

“Arts and culture generally do not fuel economic growth by themselves; rather, economic growth tends to create the preconditions for their development.”

Isto contradiz o que aprendi sobre a evolução cultural e social. Se pensarmos em termos de Renascimento, p.ex., não dá para imaginar primeiro um crescimento econômico independente da criação artística e científica. Até onde sei, se trata de um processo de alimentação contínua e recíproca.
Dizer que Frankfurt tem uma taxa de desemprego menor que Berlim é uma meia verdade quando avaliamos o conjunto da obra, de que Berlim atrai migrantes que sofrem com o desemprego em outras cidades, inclusive Frankfurt. Falta ao artigo uma análise de rede de cidades ao invés de tratar as cidades como “universos em si” independentes umas das outras.
Outra coisa que me espantou neste texto é tratar os custos de vida, com moradia e transporte nas grandes cidades como maiores e, portanto, “injustos” para a “classe trabalhadora”. Ora, isto é mercado que se ajusta! É uma maneira de se regular o acesso. Se há mais demanda, óbvio que o custo deve aumentar. Isto deveria ser elogiado como mecanismo de freio (ou, ao menos, de dissuasão) e não como “problema”. A impressão que passa (e acho que é este o intuito) é de que o autor deve endossar um planejamento que obrigue a dispersão habitacional para, artificialmente, baixar custos de moradia sendo que alguém vai, inevitavelmente, pagar por eles. De um modo autoritário, isto reeditaria o velho planejamento urbanístico que, por sua vez, é gerador de outras graves distorções. Analogamente, o autor frisa custos ambientais maiores das grandes cidades relevando os custos de vida em áreas dispersas. Como eu disse, eu prefiro morar afastado, mas tenho consciência de que isto deve ser pago em termos proporcionais. Querer que uma opção individual como a minha sirva de modelo é apostar na igualdade e uniformidade de opções que vai em sentido contrário da própria escolha da população. Meu argumento pode parecer simplista e não fundamentado, mas pelo menos tenho consciência do mesmo e não estabeleço cortes analíticos ao privilegiar critérios de padrões de moradia esquecendo-me da complexidade do todo que envolve mais que um espaço intra-urbano contra outro, Centro VS. Periferia.
Dizer que as grandes cidades têm favelas e que estas estão em crescimento é como criticar um padrão de moradia melhor do que a área de origem sem citar esta, mas comparando o primeiro com outros padrões superiores. Isto é, o autor critica um tipo de (sub)moradia com moradias melhores sem lembrar que os moradores das primeiras tinham, em sua origem, condições piores. Outro dado, que podemos obter da obra de Hernando de Soto é que o que chamamos costumeiramente de “favelas”, mas que apresentam diversos padrões ao redor do globo é um sintoma de dificuldade de acesso a propriedade e não, um lócus deficiente por natureza devido ao crescimento demográfico tão somente. Neste sentido, Joel Kotkin envereda por uma análise quantitativa sem levar na devida conta suas causas (qualitativas). Veja bem... Segundo o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), 60% das moradias de Florianópolis, a capital de um estado, não possui escritura pública. Isto é, são “favelas” na definição hodierna, não constituindo propriedades legais, mas apenas terrenos de posse com edificações/construções ilegais em cima. Ora, isto não quer dizer que sejam, de todo, moradias ruins, mas sim, moradias sem aporte legal. A causa está no marco institucional e a conseqüência, esta sim, é que os efeitos/externalidades provocados se aproximam/igualam a das chamadas favelas precárias em termos de poluição e danos causados ao meio ambiente natural e social. Trata-se de uma perversão político-administrativa e não de simples localização como sugere o autor.
Isto é um disparate:

“With the exception of Los Angeles, New York, and Tokyo, most cities of 10 million or more are relatively poor, with a low standard of living and little strategic influence.”

“Relativamente pobre” em relação a quem ou o quê? Que absurdo! São muito mais ricas que a imensa maioria e, claro, que se pegarmos a média, talvez sejam mais pobres do que cidades médias que dependem fundamentalmente desses centros geradores de riqueza, que são as grandes cidades. Reitero, é um grave equívoco tomarmos as cidades isoladamente sem avaliarmos o conceito de rede de cidades. Muitos dos negócios situados em vales-isso, vales-aquilo (referência ao Vale do Silício e outros clusters pelo autor) têm escritórios que os administram justamente em centros urbanos de maior aporte onde os negócios e concepções, designs são feitos e elaborados gerando a economia bilionária. Não podemos simplesmente privilegiar um setor, o de alta tecnologia esquecendo todo o resto para concluir que as mega-cidades não são seus lócus privilegiados.
Não pretendo cair no extremo oposto do artigo, colocando as grandes cidades como “mais importantes”, mas a análise fragmentada do artigo tem que ser denunciada como portadora de grave viés.
Mas há sim um ponto positivo no texto, a violência e insegurança urbana (que são ataques contra a propriedade, aí o problema) geradas nas grandes cidades. Talvez este seja o verdadeiro indutor de uma dispersão urbana ainda, precariamente, avaliado. Em que pese ser verdade, as periferias renovadas, os subúrbios ainda se conectam com os centros dos quais mantêm relações criando “novas centralidades” e reproduzindo modelos urbanos em outras áreas. No entanto, chamar estas áreas de “zonas rurais” é outro equívoco... “Rural” se prende à atividade agrícola e os “novos centros” ou subúrbios, clusters etc. têm atividades nitidamente urbanas. O próprio agronegócio, p.ex., não é “rural” no sentido literal.
Se o modelo dos países desenvolvidos calcado na centralidade tradicional de grandes cidades não deve pautar o desenvolvimento de países em desenvolvimento (como quer o autor), a simples dispersão induzida pelo estado também não é nenhuma solução, mas o prelúdio de diversos outros problemas, uma vez que a moradia urbana, seja em grandes, médias ou pequenas cidades não for resolvida, isto é, liberada das amarras estatais que criam privilégios através do ônus de suas burocracias.
...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Um voto de nariz tapado


Em 2006, por ocasião da disputa eleitoral para presidente, o articulista da revista Veja, Diogo Mairnardi, declarou seu voto no tucano Geraldo Alckmin. Em seu texto elencava seus motivos, e dizia que votaria de “nariz tapado”. Pois bem, este que vos escreve vem agora declarar o voto em José Serra, e que também será de nariz tapado.

Em um ensaio recente, disse que não nutro a menor simpatia pelo tucano. Oras, como defender alguém que vai ampliar o bolsa família até um 13º salário? Que de cara sai prometendo um salário mínimo de R$ 600,00? Que demagogicamente flerta com um populismo barato? Não dá! Por isso tudo e mais outros atributos, recusei-me em votar no cepalista careca no primeiro turno. Anulei meu voto.

Sempre deixei claro minha posição quanto ao governo Lula, faço parte dos 4% da população – segundo pesquisas, você ainda acredita nelas? - que não se deslumbrou com o reinado do molusco. Portanto, Dilma não é, nunca foi e nem vai ser uma opção viável.

Para nós, libertários, não há nada mais caro que nossa liberdade. E é nessa ótica que defendo o voto em Mrs Burns, visando evitar um “mal maior”. Afinal, o PSDB, até o presente, nunca flertou com o totalitarismo - tirando algumas declarações desconexas e um ou outro chororô - não há nada que os desabone nessa questão.

Já o PT – que vai dar as cartas no governo Dilma -, conforme palavras do stalinista Josef Dirceu, sempre defendeu genocidas e supressores da liberdade. O Ministro da Propaganda do governo atual, Franklin Martins, está neste exato momento estudando formas de “controle” da mídia, ou seja, pelo o histórico de quem pleiteia: censura! O Ministro Marco Aurélio Garcia, um dos últimos comunossauros clássicos do país, é nada mais nada menos que um dos coordenadores da campanha dilmista. É o mesmo cidadão que tece loas a Fidel Castro e se recusa a comentar as violações a direitos humanos mundo afora por países próximos ideologicamente ao PT.

Já a candidata, que se vangloria de ter “lutado pela liberdade”, mente descaradamente! Ela, juntamente com os supramencionados, lutavam para implantar um regime de terror da chamada ditadura do proletariado (estou lendo o livro Sussurros – a vida privada na Rússia de Stalin, e tenho certeza que nunca houve e nem haverá qualquer correlação entre socialismo e liberdade. A propósito, deveria ser leitura obrigatória para esses sacripantas!).

Não vejo o menor problema em se discutir a descriminalização do aborto e a união civil dos casais homossexuais, a propósito, sou favorável a ambos. O que me irrita profundamente é a hipocrisia e o oportunismo eleitoral, e, justiça seja feita, ambos estão demagogicamente exagerando na dose. Fundamentalismo religioso é uma das causas do atraso da humanidade.

Ao que tudo indica – conforme eu já havia antecipado - a disputa vai ser acirradíssima. Não dá para prever o desfecho final. Eu, como defensor incansável das liberdades individuais, serei obrigado a tapar o nariz, apertar o 45 e confirmar.

Sad but true

Ps. Se Dilma perder, será muito mais pela própria imagem, que agora começa a aparecer realmente o que é, do que qualquer atributo de Serra.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Valor, justiça e democracia

Há uma fronteira tênue entre o ceticismo e a justiça. O ceticismo requer mais a dúvida que a crítica (pré-determinada) e a justiça não pode descartar a possibilidade de reversão de nosso pré-julgamento quando tivermos motivos suficientes. O equilíbrio entre esses dois princípios não significa que não tenhamos valores e sejamos imparciais e a imparcialidade é tão nefasta porque é ingênua. Não apoiar a eleição de um candidato político, do qual claramente discordo não significa que defendo sua inelegibilidade.
Exceto pela possibilidade de Francisco Everardo Oliveira Silva, o “Tiririca”, ser analfabeto, que de acordo com a lei é inelegível, não sou contra sua candidatura e eleição. Primeiro por que a democracia não é um sistema que parte da premissa da necessidade de boa qualidade do político, mas sim que a disputa levaria a busca individual por qualidade que, coletivamente, poderia ser consagrada. Portanto, a democracia se baseia na crença de que o processo é que garante a qualidade dos resultados ou tende a mesma.
Se partirmos de um ponto de vista elitista, mesmo que essa elite seja intelectualmente superior, não estaremos privilegiando um sistema similar à economia de mercado e sim partindo da premissa de que eleitores são incapazes de decidir quem deve representá-los. Esta posição limitadora também é inviável porque demanda um mínimo qualitativo para nossos representantes. A tirar pelos projetos de lei que são criados não vejo como isso possa passar. Há leis claramente estúpidas e burras.
Dentre as críticas que já ouvi, a mais recorrente é que o povo votou por escárnio. Ora, e se for? Não é seu direito? Acho ingênua a posição de que aí os valores democráticos estariam sendo ameaçados ou, pelo menos, desrespeitados. O caso não é em relação à democracia, ela apenas refletiria uma situação anterior, de descontentamento talvez. E quem pode garantir que não haja mesmo um ponto positivo nisto tudo ou resultado que possa valer à pena?
Jon Gnarr Kristinsson é um conhecido comediante islandês que neste ano também foi eleito prefeito da capital Reykjavík. Seu partido, chamado de “O melhor partido” tem piadas como plataformas políticas: toalhas gratuitas nas piscinas e um urso polar para o zoológico da cidade. Se isto não é escárnio, não sei o que é. Este tipo de fenômeno político tem a ver com o desencanto e cansaço com a política tradicional, que no caso da Islândia foi afetada pela crise de 2008, mas e o nosso Tiririca? Pensem: pode haver maior palhaçada no cenário político nacional que um Plínio de Arruda Sampaio, candidato do PSOL à presidência da república propor invasões de propriedades para minimizar o problema habitacional?
Talvez tudo isso seja um claro sinal de amadurecimento político na medida em que o “menos palhaço” tenha recebido mais votos...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A sangria de um Estado



Afonso Vieira

Estamos na reta final das eleições para Presidente da República, Governadores, Senadores e Deputados, eis que surgem de todos os rincões do Brasil denúncias de corrupção envolvendo “n” pessoas, dos mais variados escalões, sejam municipais, estaduais e federais. Essa praga que grassa o Estado, chamada corrupção, é tão antiga quanto a própria humanidade.

Há muito tempo não vejo um cenário tão desalentador para os cargos eletivos. Dos potenciais eleitos, nenhum merece o menor respeito. Seja pela biografia, seja pela inaptidão; quando vamos analisar o discurso de cada um, fica ainda pior. A contradição, o cinismo e falta de escrúpulos sobrepõem qualquer argumento.

Ao contrário da maioria – que via de regra é burra! -, não quero e nem sinto a menor vontade de ter nada relacionado ao atual ocupante do Planalto. Para mim, destruir valores éticos e morais, denegrir instituições e mentir em cadeia nacional são atribuições de crápulas. E a escola de nossos políticos é das melhores, sem exceção de partidos.

Não se menospreza nem se denigre instituições, mesmo que estejam abarrotadas de uma escória incompetente e corrupta - como nosso legislativo, judiciário e executivo -, afinal, pessoas passam, as instituições permanecem e nelas seus legados e padrões.

Muito me espanta os ataques à imprensa de supostos democratas, oras, uma sociedade só é livre quando se é possível emitir opiniões, doa a quem doer. Para os casos de excessos há a Lei, que se provem e punam os culpados, devidamente! O caráter autoritário aflora em todo governante acuado. Para os desprovidos do verdadeiro espírito de liberdade, resta a censura, a perseguição e o suposto “controle social”. Como se a “vontade da maioria” não fosse nada mais que outra forma de ditadura.

Falsos moralistas existem em todos os locais, na grande mídia, na chamada mídia alternativa – que trabalha a soldo do governo, frise-se -, em blogs e jornalecos país afora. Quando são desmascarados, desviam o foco, censuram comentários e inventam milhões de desculpas, todas esfarrapadas! Nem mesmo um vídeo é prova inconteste – eita Brasil!
Fico sempre martelando com meus neurônios sobre o suposto exercício de cidadania que é votar. Oras, sou obrigado, por exemplo, a votar no “menos ladrão”, como é o caso do meu estado. Mesmo tendo inúmeros processos nas costas, mesmo que todos saibam do enriquecimento ilícito, das fazendas, pesqueiros e investimentos diversos e suas meteóricas escaladas na pirâmide social, nunca vão presos. E pior, voltam sempre, como ervas daninhas impossíveis de extirpar.

Quando se fala em voto nulo, aparece uma infinidade de beócios, uns bem intencionados, até mesmo ingênuos; outros, ratos velhos da pior laia. E o discurso é sempre raso e vazio, que só cola para quem tem pouca opinião.

Ainda me restam parcas esperanças, em alguns cargos até vou digitar uns números e tentar mais uma vez, mas para os chefes do executivo, seja estadual ou federal, vai ser 00 e confirme!

domingo, 12 de setembro de 2010

Liberdade & Segurança

Former Alaska Governor Sarah Palin has called a Florida preacher's plan to burn Korans on the anniversary of 9/11 "insensitive and an unnecessary provocation – much like building a mosque at Ground Zero."



Eu não queimo livros. Não queimaria nem o Minha Luta de Hitler. A melhor maneira de destruir uma idéia contida neles é lê-los e criticá-la. Acho estúpido, mas não posso admitir que se diga que não se pode queimá-los. Agora tiro o chapéu para BHO que parece ter persuadido o pastor. Bem, talvez seja ingenuidade minha e quem pode, realmente ter saído ganhando nesta é o guia de uma igrejinha pouco conhecida. Não sei. Só sei que estes fundamentalistas islâmicos já nos encurralaram. Com certeza eu não tenho o perfil de um político hábil para lidar com isto, não tenho mesmo. Cansa, isto cansa. O que será daqui a pouco? Vão proibir que TVs exibam mulheres com véus islâmicos?
Sei que vão achar o exemplo forçado, mas eu sou contra o aborto enquanto que sou a favor do direito de mulheres abortarem. Sou moralmente contra sua prática incondicional, mas sou favorável à decisão pessoal de se abortar. Se eu consigo ver algo assim como possível, porque não a queima de papel?
Sei que vai parecer extremamente infantil de minha parte, mas quem pensam que são para cagarem lei por aqui? Sim, por aqui, no mundo livre. É desenho animado que não pode citar Maomé, é charge condenada, é escritor banido do convívio público, cineasta assassinado etc. Eu sei, sei, sei que é isso mesmo que eles querem: a provocação que legitime suas ações. Tenho consciência clara disto, mas eles não vão simplesmente parar. E não vão parar também por ações de estado. Refiro-me a ações militares... O que vai mudar é nossa tecnologia de segurança que, tomando consciência de meu wishful thinking, irá avançar. Mas, o fundamental ainda não mudou: o comportamento. Aqui há um pequeno ensaio de para onde e como as coisas deveriam se encaminhar.
Veja que se cede nisto, ao impor uma sanção governamental (o que não foi feito, bem entendido), o passo para proibir a instalação de uma mesquita está dado. E daí, todas outras proibições às inconveniências serão legítimos.
Queimar o Corão em público é provocação do pastor, mas é seu direito provocar. São ambigüidades da democracia, assim como é direito queimar a bandeira deles lá, das estrelas e listras.
O que fariam os muçulmanos se milhões queimassem o Corão? Se as dezenas de milhões lá que portam armas? Se mais milhões aqui no Brasil e alhures? Nada. Eles podem sim nos ameaçar quando há um ou outro, daí faz diferença. Se o mundo ocidental, em peso, aderisse a um gesto de protesto não faria a mesma diferença, pois não haveria mais o foco específico para atacar. Seriam vários e ficaria tudo igual como antes do manifesto, tudo igualmente descentralizado. Imaginemos um vizinho incômodo, truculento e apenas um de nós vai solicitar que diminua seu volume e apanha no rosto. Agora, imagine a rua inteira. É simplismo de minha parte, mas ninguém me tira da cabeça que a mudança de hábitos urbanos, com menos transeuntes nas ruas deve ter realimentado o ciclo de delinqüência responsável pelo aumento da criminalidade. É o fenômeno do ‘carona’ em que todos nós desejamos que alguém faça algo, mas nenhum de nós dá o primeiro passo. Resultado lógico é que nada muda.
Reitero BHO agiu como deveria sim. Eu faria o mesmo, exceto se em protesto público achasse que conseguiria mobilizar milhões contra suas ameaças, tal como fizeram os espanhóis contra o ETA, como fizeram os sérvios contra a OTAN colocando chapéus e bonés com alvos pintados. Imagine a vigilância constante sobre mesquitas e sua definição como locais públicos, logo sujeitos a regra comum onde não poderão mais ensinar o ódio ao ocidente, nem traçar ações contra seus próximos alvos. Isto pode não impedi-los de procurar outros locais para confabular, mas com bem mais dificuldade ao ter que se esconder, perdendo tempo e eficácia. Lembremos que a KKK perdeu muito terreno quando, justamente, suas ações, rituais e códigos foram tornados públicos e caíram no conhecimento popular. Os inimigos estão ali, sabemos quem são e como pensam e agem, só restando desnudá-los e difundir detalhes alheios à maioria das pessoas, leigas que são na gênese do ódio. Já tornaram a vida da maioria de nós um inferno, agora só resta fazermos com que se sintam da mesma forma.[1]
A ofensa ainda não foi banalizada. Quando for, o sagrado e o proibido desencantam, perdendo sua força.





[1] Obviamente que não me refiro aos ataques, mas ao medo incutido.


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Entre murros, lágrimas e páginas rasgadas



Mais um post daqueles “lá vem o Anselmo novamente encher nosso saco com esse negócio de escola pública...” Pois então, ontem um de meus alunos, S. veio se lamentar para mim “a professora de educação física está puta comigo”. Perguntei por que e ele me disse que deixaria de jogar pela escola para representar outra (particular), da qual recebera um convite e, de quebra, uma bolsa de estudos. Eu lhe contei um caso em que um antigo conhecido meu fora preterido de jogar no time brasileiro em um congresso de medicina. Desacorçoado, o estudante à época acabou recebendo guarida em outro time, o escocês que lhe rendeu a vitória graças a um único gol, o seu. Com isto, eu quis que ele não desistisse e fosse além, superando os argumentos gregários, como o de ter que jogar no time da seleção brasileira no congresso internacional ou na sua péssima escola, no caso de meu aluno. O que ele, como indivíduo, ganha em troca? Esta é a questão. Justamente por pensar em termos estritamente coletivos é que essa gente não vai a lugar algum. Falta-lhes ambição, mas mais do que isto, método para alcançá-la. Quando o indivíduo, depois de dar suas braçadas neste mar turbulento da incompetência pública e seu “espírito de comunidade”, alguém vem com um tosco argumento querendo tirar seu sonho?
O que isto tem a ver, especificamente, com a escola pública? A questão é que o espírito de “tudo pelo coletivo”, “tudo é social” e estas merdas todas anulam ou impedem que uma retardada professora veja o caso do referido aluno como de um retumbante sucesso que deveria ser louvado. Não o simples fato de passar para uma escola particular. Não se trata disto especificamente, mas dele poder ser contratado por clubes locais seguindo esta rota indicada por um professor de educação física que serviu como olheiro. Quando a escola, finalmente serve para alguma coisa, vem uma professora dizendo para o sujeito desistir?!
Deixem-me dizer algo sobre o referido sujeito, S. foi um dos garotos que teve a ‘sorte’ de topar comigo no ano passado. Em meio ao caos provocado por diretores incompetentes, ele foi mais um dos que devido à falta de ordem seguiu na indisciplina. De aluno razoável passou a péssimo logo após (por coincidência ou não) seu pai ter rasgado a barriga do irmão mais velho com um estilete, quando este tentava defender a mãe de suas agressões. Depois, como se tentasse negar isto ou forçar uma alegria, S. sucedeu aprontando e fazendo escárnio de professoras, especialmente as mais velhas. Num determinado dia durante o recreio, S. gesticulou simulando uma curra nas costas de uma velha professora. O diretor, nem aí, fingiu ignorar o gesto. Só que eu vi e comecei a berrar com o cara chamando sua atenção e da supervisora pedagógica. Como era no meio da semana, ele levou só três dias de suspensão. Fiquei mais de uma semana sem vê-lo porque faltou a minha aula na semana seguinte.
Não tem lero-lero, faltou com respeito não importa se tem problemas em casa, sua condução na escola deve ser outra. Aliás, hoje, este aluno, S., por incrível que pareça, é um dos que melhor acompanha minhas aulas na 7ª série.
Na mesma semana, um sujeito socou outro, bem menor, na boca. O motivo: estava rindo do calçado que usava, tido como “de pobre”, parte do uniforme de trabalho dos operários da região. Era motivo, sem dúvida alguma, para o professor de religião que presenciara o incidente explorar e tripudiar em cima dos colegas escrotos por participarem da chacota, mas ou não percebeu ou ignorou o ocorrido. O professor interveio ao que o agressor J., bastante exaltado, disse “fica frio, fica friozinho aí”, pronto para encarar quem quer que fosse.
Quando entrei em sala, a turma encontrava-se atipicamente quieta e durante minha aula, a diretora e o professor envolvido interrompem-na para se interar do caso. Depois daquela pseudo-acareação, eu aproveitei para comentar e dar minha dica, de que não se deveria provocar daquela forma, independente da ação, que a condenei certamente, que o procedimento deveria ser outro etc. Neste momento, a turma redargüiu sobre o comportamento de J., que gostava de afrontar todos, inclusive assediando fisicamente as alunas. Claro que esta exposição o tornava além de agressor, alvo de vingança coletiva da forma que a turma encontrou quando pôde e como pôde. Então, se o caso não tinha atenuante, ao menos deveria ser mais abrangente, uma vez que havia uma sucessão de assédios sem encaminhamentos. De qualquer forma, o inadmissível era a resposta de J. a isto tudo, tomando as rédeas da situação conforme lhe convinha e escolhendo uma vítima mais próxima e fraca.
Ao encontrar a diretora ao final das aulas para lhe informar do que soube, ela começou a chorar com lágrimas forjadas por um sentimento ensaiado. Ali percebera, sentira sua falsidade. Na verdade, a mulher era mais uma histérica com Síndrome de Estocolmo, um padrão de certas pacientes psiquiátricas.
Lágrimas, como as que vi em R., aluno da 7ª série que desde o ano passado se esmera em agredir outros, geralmente menores, da 1ª a 4ª séries. Trata-se de um cafajeste, para dizer o mínimo. Semana passada em meio ao empurra-empurra do recreio, colocou o pé junto ao pé de A., uma menina da 5ª e com sua mão empurrou suas costas para o chão. Ela se apoiou com os braços torcendo um dos pulsos. Corri pela escola em seu encalço e fiz um escarcéu durante o intervalo dos professores ao que a diretora chamou o Conselho Tutelar. Uma das oficiais foi simpática ao meu relato, mas o outro, um idiota que achava que não precisava me ouvir, tentou me ignorar. Uma nota: há diversos profissionais de ensino ou ligados ao mesmo que desprezam professores por entenderem que há uma “questão social maior”, o que significa para bom entendedor, que todo delito deve ser “compreendido” e perdoado. Ele dizia “vou registrar a ocorrência na 2ª, para que tua mãe não te bata no fim de semana, assim ela já vem nos ver na 3ª”. Conheço a história desse garoto e a resposta que sua mãe já nos deu foi a clássica “mas, lá em casa ele não é assim...” Resultado, nesta semana já estava procurando outro aluno da 5ª para esfolar. Quando o encontrei, perguntei “e aí R., batendo muito ainda?” e o covarde que na semana anterior despejava suas lágrimas em frente ao conselheiro respondeu “não, só esmurrando”. Enquanto isto, pedagogos universitários continuam ignorando a questão básica, a disciplina, sem a qual nenhum planejamento ou concepção teórica educativa subsiste.
Para que não pareça que o problema seja restrito a prática de ensino e relação com alunos, eu relato outro pequeno caso, desta semana também. Em uma aula da 8ª vi alguns alunos jogando bolinhas de papel amassado uns nos outros. Estava pronto para contê-los ao que reparei na cor e textura diferentes e perguntei de onde era. “Eles estão rasgando livros de doação!” ouvi. Como? Sim, eram livros doados pela biblioteca. Clássicos da literatura, rasgados, riscados etc. Tomei-os de volta e levei para a bibliotecária que se mostrou visivelmente assustada. Eu é que não entendi a razão de sua surpresa no lugar de raiva ou indignação. Mais tarde a ficha cairia quando ela desabafava no intervalo em meio ao cafezinho e bolachas secas: “tive que me desfazer daquelas porcarias que fui pegar e até machuquei meu dedo, aquelas porcarias, estraguei minha unha”. Do jeito que a coisa vai, talvez sobre um lugar para “essas porcarias” em algum museu.
Alunos que servem de sparring a outros alunos, professores que tentam abortar sonhos individuais, diretores histriônicos e sem ação... Que mais posso esperar? Eu pareço um ET naquela zorra. Só faltava mesmo uma bibliotecária-aborígine com menos competência que os ácaros no zelo pelo amontoado de papel velho em brochura que um dia inspirou alguém a ensinar.
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